INTRODUÇÃO
Neste trabalho de
investigação que nos foi dado vamos falar acerca do Sistema Político da Actualidade
e sua Globalização.
Uma vez que o
processo de globalização em marcha acabou com os limites geográficos, mas não
eliminou a fome, a miséria e os problemas políticos de milhões de globalizados
que vivem (ou sobrevivem) abaixo da chamada linha da pobreza absoluta.
O problema da
participação política dos indivíduos na globalização aparece na análise do
processo de influências das instituições sociais e se revela nas dificuldades
do uso da liberdade política para o enfrentando dos desafios de uma realidade
que avassala, destrói, cria e recria valores étnicos sociais e culturais.
DESENVOLVIMENTO
Sistema
Político da Actualidade e sua Globalização
O objectivo geral de
analisar as dificuldades de participação política dos indivíduos na sociedade
global, a partir da compreensão de como acontecem as relações sociais, económicas
e políticas dentro da globalização. De como o processo de influência das
instituições sociais, conduzem os indivíduos nas suas relações em sociedade. Ainda ,
como o despreparo dos indivíduos em questionar as instituições estabelecidas,
se reflecte nas dificuldades de participação política na globalização.
Assim sendo, é destacado
nesta análise que um indivíduo livre, com autonomia é aquele que reconhece nas
leis da sociedade as suas próprias leis e o seu próprio poder. Para tanto é
necessário, como mostra o texto, que o indivíduo assuma a responsabilidade da
construção das bases de uma sociedade autónoma, que passa ajudá-lo a atingir a
participação política na globalização.
A globalização fez
surgir uma sociedade desregrada, com ilimitadas possibilidades de comunicação,
de intercâmbio económico e conquistas tecnológicas. À medida que, busca
analisar as dificuldades que enfrentam os indivíduos para alcançar participação
política na globalização, este trabalho justifica-se integralmente, visto que
evidencia problemas como a falta de autonomia e a incapacidade de autodeterminação,
sem a superação dos quais, está inviabilizada uma possível inserção social no
mundo global.
Ao mostrar um
indivíduo ainda alienado às mudanças globais, distanciados dos centros das
decisões, preso a factores de ordem tecnocrática e consumista, esta análise
aponta para a necessidade do posicionar-se, pensar e agir. Serve assim, como um
alerta à compreensão de princípios imprescindíveis à conquista da participação
política e a uma vida cidadã na globalização.
Ao revelar as
dificuldades que tem os indivíduos de conceber o neoliberalismo como
sustentáculo ideológico da globalização, de não terem autonomia frente ao
determinismo económico por ele imposto, o trabalho exibe a importância da
reflexão política, de tomada de decisões, exigências básicas do mundo globalizado.
No momento que mais a sociedade quer um indivíduo criativo, capaz de decidir,
com versatilidade de conhecimentos, parece óbvio que este perfil exigido, como
mostra esta abordagem, somente tornar-se-á realidade com a conquista de uma
autonomia individual que conduzirá à participação política.
Os indivíduos vivem
uma crise de razão na sociedade global, o processo de desterritorialização lhes
sucumbiu o proteccionismo do Estado-nação. Ao concebermos esta realidade, as
considerações que veremos neste trabalho, ganham em importância porque nos
remete a uma discussão dos tempos actuais:
a "doma" da globalização e a consequente necessidade da humanização
do processo global.
Observa-se no âmbito
da aldeia global, que é no indivíduo que está o limite ou deslimite das acções
do homem na sociedade globalizada, é na sua maior ou menor inserção política
que se definem os níveis de exclusão social. Os indivíduos são peças
fundamentais no processo político que constrói a globalização. Sem eles a
sociedade global não se sustentaria, o mundo dos incluídos inviabilizara-se na
ausência da legião dos excluídos que o sustenta.
Essas considerações
respondem o que hoje está muito presente nos debates em torno da globalização,
qual seja a interdependência desigual entre quem globaliza e quem é
globalizado.
Sustentam o
embasamento teórico principal desta análise, obras de Octávio Ianni, Cornellius
Castoriadis, Anthony Giddens e René A. Dreifuss. Este trabalho tem uma
abordagem teórica, como tal, apresenta conceitos a partir dos quais, busca-se
desenvolver uma análise crítica, que permita interpretá-los nos limites do
problema e dos objectivos propostos.
A PARTICIPAÇÃO POLÍTICA NA SOCIEDADE
GLOBALIZADA
A globalização é o
cenário do desenvolvimento desigual. Ela é problemática e contraditória,
dissolve espaços e tempos e impõe ao indivíduo padrões e valores desconhecidos.
Estas afirmações de Octávio
Ianni (1995), dão a dimensão da aldeia global que vive o indivíduo no início
deste novo século. Ao mesmo tempo em que perde raízes, se vê envolvo em uma
imensa multidão de solitários, satelitizada, electrónica e desterritorializada.
As mesmas condições que alimentam a interdependência e a integração, sustentam
as desigualdades e contradições em âmbito global.
A mesma fábrica da
sociedade global, que se insere e que ajuda a criar e recriar continuamente,
torna-se o cenário que desaparece".
É a expansão
avassaladora das relações, processos e estruturas de dominação em escala
global, que em qualquer lugar e a todo instante provocam uma apropriação e
desapropriação de conceitos, que transbordam fronteiras e levam ao declínio a
sociedade tradicional.
É uma sucessiva
incorporação de novos mundos, onde "(...) as organizações políticas, económicas
e culturais, prevalecem sobre os indivíduos, classes, grupos, partidos, Estados
nacionais. Elas conseguem aliar-se com grupos locais, integram-se a sectores
sociais, partidos ou governos, mas organizam-se segundo razões próprias, de
ordem global.". Dessa forma, prevalecem sobre os indivíduos, que passam a
viver a crise da razão.
O carácter
particularista das estruturas económicas, aliado ao desconcerto social e
cultural, tem colocado ao indivíduo as mais diversas formas de antagonismos,
que dificultam-lhe a tomada de decisões e o inibe de participação política.
Uma análise da
participação política dos indivíduos na sociedade globalizada, mostra que as
dificuldades impostas pela globalização, para a conquista de autonomia,
forjam-se na própria globalização, porém são alimentadas e tornam-se grandes
barreiras, no despreparo, intelectual ou político, dos próprios indivíduos em
tomar para si as rédeas do mundo global.
Ao indivíduo cabe
perceber que as dificuldades de participação política na sociedade global não
se resumem às questões ideológicas e económicas do neoliberalismo. Elas também
se revelam em acções do cotidiano, como o comportamento consumista na compra de
algum produto ou no processo de aculturação, de massificação de valores que
sofre dos meios de comunicação.
Enfrentar e superar
essas dificuldades, exige do indivíduo autonomia, a construção de uma
identidade pessoal, capaz de delimitar espaços e gerar novas consciências de cidadania.
O alienante
predomínio das coisas sobre os homens, tem criado enormes barreiras para a
tomada de consciência dos indivíduos, o que dificulta ainda mais a superação
das dificuldades de participação política e a consequente inserção na sociedade
globalizada. O indivíduo não consegue ter domínio de um aparato mecanizado, que
cria constantes necessidades, tenciona as relações sociais e dita as normas no
mundo globalizado.
Somos escravos do
nosso aperfeiçoamento técnico, "(...) modificamos tão radicalmente nosso meio ambiente
que devemos agora modificar-nos a nós mesmos, para poder viver nesse novo
ambiente."
O indivíduo tem
extremas dificuldades de situar-se em uma sociedade, que assim como assinala o
declínio do Estado-nação, faz emergir novos e megacentros mundiais de poder,
soberania e hegemonia. A situação é tão problemática e contraditória que ele já
não consegue identificar os donos do poder. Fica deslocado ainda mais do centro
das decisões políticas, diante da doutrina neoliberal que transfere as
possibilidades de soberania para as organizações, corporações e outras
entidades de âmbito global.
As elites buscam
criar condições que nunca se resolvem, acenam para os indivíduos,
constantemente, com novas perspectivas, aliam-se a sectores sociais, partidos
ou governos, mas definem as decisões segundo as suas razões e interesses
políticos. Como destaca Octávio Ianni (1995, p. 79): "o povo, as massas,
os grupos e classes sociais são induzidos a realizar as diretrizes
estabelecidas pelas elites modernizantes e deliberantes."
Ao indivíduo aparece
uma globalização de padrões de consumo, de métodos e estilos que se neutralizam
de formas diferentes na vida de cada um. A mesma diversificação de valores que
lhe é apresentada, retira-lhe a capacidade da escolha autónoma e reduz-lhe a possibilidade de
participação política.
Há de se considerar
também a universalização dos meios de comunicação, que levou à aldeia global
informatizada. Tudo que se globaliza, virtualiza-se. As próprias ideias
transfiguram-se na magia da electrónica. Robotizado, o indivíduo não encontra o
ponto de referência da reflexividade política.
O partido, a opinião
pública, o exercício do voto, a governabilidade, a estabilidade ou a
instabilidade de regimes políticos, a magnitude ou a irrelevância dos fatos
sociais, económicos, políticos e culturais, tudo isso passa a depender, em alguma
escala, da forma pela qual a mídia descreve e interpreta".
O problema maior do
indivíduo é encontrar a essencialidade da verdade dos fatos, parâmetros de
compreensão entre o que informa e o que aliena na globalização. São questões
essencialmente ideológicas, normalmente manipuladas pelos meios de comunicação
de massa, e que expressam uma nova concepção acerca da transformação social e
da prática política, imposta pelo neoliberalismo.
Ao indivíduo é
necessário compreender que a globalização é um processo em marcha, inacabado,
que modifica as suas condições de autonomia, porém não o impede de reflectir,
pensar e agir. As dificuldades que enfrenta de participação política estão em
encontrar-se na imensidão interativa de conceitos, valores, ideias, que alargam
ou reduzem horizontes, diante da maior ou menor capacidade de discernimento das
forças que actuam no desenvolvimento da globalização, a qual, "(...)
modifica substancialmente as condições de vida e trabalho, os modos de ser,
pensar e imaginar. Modifica as condições de alienação e as possibilidades de
emancipação dos indivíduos."
A globalização criou
as condições de uma nova e moderna visão do mundo, porém não conseguiu evitar
de ser, igualmente, uma fonte reveladora das imensas desigualdades sociais, das
diversidade locais, nacionais e regionais, que assim como interagem, chocam-se
nos limites e deslimites da aldeia global.
O desafio do
indivíduo de vencer suas dificuldades de participação política está em grande
medida, na capacidade do mesmo em compreender que a política deve ser uma actividade
lúcida, que necessita de homens lúcidos, capazes de lutar por uma sociedade autónoma,
que forme necessariamente indivíduos autónomos.
Cornellius
Castoriadis (1992), considera que o grande desafio posto para os indivíduos na
globalização é o de ascender a autonomia, ao mesmo tempo que absorve e
interioriza as instituições existentes.
Uma política de
autonomia, como recomenda Castoriadis, deve por sua vez, agir sobre os
indivíduos, com o objectivo, de que possa ajuda-los a atingir a sua própria
autonomia. Um projecto de autonomia é, pois, a transformação do sujeito de
maneira que ele possa ser participante do processo, ou seja, tenha participação
política na sociedade em que vive.
A participação
política, portanto, é exigência básica para que o indivíduo supere as barreiras
impostas pela globalização e consiga desenvolver acções de cidadania dentro da
própria sociedade global. Nesse sentido, é necessário encurtar o distanciamento
entre as formas institucionais existentes, sejam jurídicas ou políticas, e a
real possibilidade de reconhecer nas leis, nas instituições, as suas próprias
leis e o seu próprio poder.
A cidadania,
compreendida como soberania, implica, necessariamente, em indivíduos que tenham
alcançado um grau de autonomia, de participação política, de auto consciência.
Nesta altura da globalização as possibilidades de auto consciência ainda são
reduzidas, limitadas. O que predomina são incertezas,
individuais ou colectivas, geradas pelo próprio processo de desterritorialização.
Em a "Sociedade
Global", IANNI (1993, p.123), afirma que "o indivíduo somente pode
realizar-se na sociedade. Está sempre na dependência de suas relações com os
outros, mesmo que se iluda em sua auto-suficiência". Esta compreensão
leva-nos a acreditar que as dificuldades que enfrenta o indivíduo para
construir um projeto de autonomia está na razão das desigualdades e
contradições sociais em âmbito global.
A globalização exige
também desterritorialização de decisões. O tomador de decisões terá que
acostumar-se à falta de tempo para reflectir, já que uma pergunta dá a volta ao
mundo em segundos."
Há uma constante
reproblematização da própria sociedade global. As nações integram-se e
desintegram-se na velocidade da luz. As transformações sociais são tão
intensas, que assim como revolucionam pela informatização, fazem ressurgir
fatos que pareciam esquecidos, anacrónicos. Os horizontes abertos pela
globalização iluminam o presente e recriam o passado.
Os indivíduos estão
acoplados a uma mídia impressa e electrónica, que transforma o mundo em paraíso
das imagens, criam linguagens e formas de expressar que dissolvem as barreiras
herdadas do territorialismo. Tudo se desterritorializa. O mundo transforma-se
em território de todo mundo, se torna grande e pequeno, homogéneo e plural,
articulado e multiplicado. Mesmo os centros decisórios mais fortes, nem sempre
se afirmam absolutos, inquestionáveis. Globalizam-se perspectivas, dilemas
sociais, políticos económicos e culturais. Os problemas nacionais mesclam-se
com as realidades e os problemas mundiais."
É necessário, porém,
que o indivíduo veja o mundo como um conjunto de nações e regiões formando um
sistema global, integrado a uma rede de interdependências, que está a
exigir-lhe a todo instante tomada de decisões. O posicionar-se exige-lhe a
superação da crise da razão, isto é, o rompimento dos limites impostos pela
tradição.
É importante que o
indivíduo supere as práticas políticas instituídas no passado, para alcançar a
participação política na globalização. A submissão, o conformismo e a alienação
não lhe conduz ao caminho da autonomia, via principal para o alcance da reflectividade
social, do conhecimento actualizado, da tomada de decisão e, por conseguinte,
da própria participação política.
A autonomia é
requisito básico para a participação política do indivíduo na globalização.
Somente um indivíduo autónomo é capaz de processar e seleccionar informações,
ter domínio de conhecimento, tomar decisões e posicionar-se frente a um mundo de riscos,
incertezas e conflitos globais.
A autonomia leva o
indivíduo à participação política, porém, não deve estar atrelada as
justificações de ordem económica ou ideológica que o incapacite ou o impeça a
condição de ser, agir e entender as contradições que permeiam o mundo
globalizado.
Para Cornellius
Castoriadis (1992), uma política de autonomia deve ter como objecto final,
ajudar a colectividade a criar as suas instituições, sem porém limitar a
capacidade dos indivíduos de serem autónomos.
O desenraizamento que
acompanha a formação e o desenvolvimento da sociedade global, segundo
Castoriadis, tem colocado os indivíduos, situados em diferentes lugares e
distintas condições socioculturais, diante de desconhecidas e surpreendentes
formas e fórmulas, possibilidades e perspectivas. A interconexão global criou
cadeias de decisões políticas, que são vias possíveis para que os indivíduos
alcancem autonomia e passem a participar politicamente.
Outra relação
importante a ser considerada dentro da globalização, são as necessidades de
consumo e a dependência dos indivíduos em satisfazê-las neuroticamente. A
sociedade global é uma imensa máquina de criar necessidades. A compulsividade
consumista fragiliza o indivíduo frente às regras de mercado, o induz a perda
de autonomia, a submissão ao capital e ao empobrecimento político.
É politicamente pobre
o cidadão que se entrega ao Estado e dele aguarda a sua defesa de modo
acomodado; que se encolhe diante do poder económico que o agride; que não se
organiza, para cuidar de sua defesa, de maneira democrática e competente."
A globalização do
capitalismo joga o indivíduo em um mundo de controvérsias, quase de crise
existencial, já que oscila entre o sonho de satisfazer todos os seus desejos e
a realidade de não poder realizá-los.
À globalização o que
interessa é a ressaca emocional do indivíduo, que o distancia da razão, do
equilíbrio entre o poder e querer e o torna um compulsivo do consumo. É o
processo de massificação e homogeneização cultural, que não apenas gera vícios
consumistas nos indivíduos, como também os impede de participarem
politicamente.
A globalização do
consumo pelo consumo afecta o comportamento social do indivíduo e é sentida de
diferentes formas e intensidade na vida de cada cidadão. Há de se considerar a
maior ou menor transferência de estilos pelos megassitemas de informação, desde
um simples comercial de televisão aos sofisticados "sites" na rede
mundial de computadores.
A chamada informação
em tempo real, não dá tempo ao indivíduo de pensar, ou ainda o que é
fundamental, de reflectir e encontrar o ponto de consciência entre o que é
necessário consumir e a necessidade consumista. O indivíduo entrega a mídia o
poder não de sugerir, mas de definir acções que deve seguir. Como destaca IANNI
(1995) "algo de essencial pode ter-se modificado, quando o discurso do
poder passa ser formulado e divulgado por meios da mídia impressa e electrónica".
Na fase inicial da
globalização o objectivo era a padronização desterritorializada dos produtos,
levar o indivíduo ao consumo pelo status da marca mundial. Hoje, como destaca
DREIFUSS (1996), a preocupação é com novas formas de consumo, criam-se produtos
não homogéneos e, até mesmo com os próprios, mais ajustados a gostos e padrões
locais. É a globalização, que consegue associar o sabor local à harmonização
global.
Observa-se assim que
os indivíduos mantêm-se reféns da globalização. Ainda não encontraram as
condições de domínio de suas próprias vontades e distanciam-se cada vez mais
dos centros das decisões.
Os factores que os
afastam se revelam tão naturalmente, que são aceitos como inerentes à evolução
tecnológica e científica da humanidade. O indivíduo é visto como o pêndulo de
um relógio que oscila aos extremos, mas não consegue o domínio ou controle dos
rumos a seguir.
A participação
política exige convicção de decisão, clareza do que se busca e certeza nas
escolhas. Estas exigências, apregoadas pela própria globalização, parecem tão
óbvias, porém, ganham um grau de complexidade enorme quando requeridas no
contexto do desequilíbrio social e económico do mundo global.
Dispersos nas dessemelhanças
étnicas, culturais e económicas, banalidades no contexto da globalização, os
indivíduos não encontram recursos de discernimento lógico, que lhes afiance
domínio de poder decisório, autonomia e participação política na sociedade
global.
A IDEOLOGIA NEOLIBERAL NA GLOBALIZAÇÃO
Criado com o objectivo
principal de combater o Estado intervencionista e de bem-estar, o
neoliberalismo tem suas origens no pós Segunda Guerra Mundial, notadamente na
Europa e na América do Norte. O texto que lhe serve de base foi "Caminhos
da servidão" de Friedrich Hayek.
Segundo Emir Sader
(1996), o expansionismo das ideias neoliberais começa realmente a acontecer e
ser sentido a partir do início da década de 70, do século que passou. Destaca
que o primeiro governo a por em prática o programa neoliberal foi de Margareth
Tatcher em 1979, na Inglaterra. Conforme o autor, mais tarde os princípios
neoliberais ganharam espaços em escala mundial, com os governos de Reagan em
1980 nos Estados Unidos, Helmuth Khol em 1982 na Alemanha e de Schluter na
Dinamarca em 1983.
Consolidavam-se a
partir de então os ideais de estabilidade monetária, contenção do orçamento,
concessões fiscais e abandono do pleno emprego, princípios básicos do
neoliberalismo e que serviriam de discurso ideológico e de sustentação política
para a globalização económica.
O discurso político
neoliberal cria no indivíduo o conceito de Estado-moderno, despatrimonializado,
que deveria ter como meta principal a contenção do grande surto inflacionário
dos anos 70. Não importava aos neoliberalizantes a participação política dos
indivíduos no sistema e sim a adesão incondicional, acima de tudo, na efectiva
organização de um Estado burocrático, que eliminasse as influências dos grupos
tradicionais de poder.
O neoliberalismo
passou a deslocar as possibilidades de soberania para as organizações e
entidades de âmbito global. Estas, e não mais o indivíduo ou grupos de
indivíduos, passam a organizar e dirigir o chamado Estado-moderno com o apoio
dos poderosos conglomerados económicos que o conduz.
Levada as últimas consequências
a tese do neoliberalismo de modernização do mundo impossibilitou a participação
política do indivíduo, que tencionado pela ameaça constante de desemprego,
passa a desacreditar do movimento sindical, das entidades de classes, até então
centros formadores de lideranças políticas.
A prática política
neoliberal acerca da transformação social, fundamenta-se na exclusão dos
indivíduos dos centros decisórios. Os conceitos de liberdade, de democracia e a
própria condição de cidadão, deterioram-se no despreparo dos indivíduos de
encontrar formas de participação política.
A realidade que cerca
o indivíduo é de um mundo global de extremas diferenças económicas. Há um
constante distanciamento entre os que detêm a concentração da riqueza e aqueles
que vivem em absoluta condição de pobreza. Cada vez mais os pobres tornam-se
indigentes e os ricos magnatas.
A globalização económica
cria um mundo mais abastado para alguns, a custa da pobreza crescente de
outros. Ela é responsável pela globalização crescente da pobreza e ao menos que
seja refreada, um novo barbarismo irá prevalecer, à medida que a exclusão
social e o desmonte social envolverem o mundo."
A aceitação,
praticamente, incondicional quase natural do segregacionismo ideológico
neoliberal, fez o indivíduo deixar de acreditar ser possível intervir
politicamente, no determinismo económico do neoliberalismo. Trouxe o comodismo
individual para um contingente globalizado que passou a ver suas dificuldades
de participação política, mais como problemas pessoais do que colectivos.
A sociedade global
consegui criar a magia, que sob o ponto de vista económico, tudo se resolve ou
deve ser decidido pela via do neoliberalismo. No que tange as questões sociais,
estas não têm vias globais de resolução, são resultado do atraso cultural, da
insipiência tecnológica e de governantes corruptos do Terceiro Mundo. Os
neoliberais afirmam que os indivíduos devem ter é iniciativa económica, assim
podem superar a condição de exclusão social, vencer as barreiras que os afastam
dos centros produtivos e conquistar, naturalmente, espaços de ascensão política
na globalização.
O mundo global
financeiro fez do indivíduo um amontoado de números, são senhas infinitas,
cartões múltiplos, tudo para fazê-lo crer que é único, singular, não comparável
com outro globalizado. Este é um princípio neoliberal, fazer as pessoas
acreditar que não devem se preocupar com o contexto, com a organização
conjuntural da sociedade, num claro contrasenso ao globalismo que apregoa.
Retira-se, assim,
pontos convergentes, problemas comuns, anseios colectivos, que normalmente
conduzem à participação política. Distanciar o indivíduo da sua realidade
social e económica, é um grande instrumento de estratégia neoliberal, que é
utilizado quando se busca explicar as dificuldades que enfrenta para inserir-se
socialmente e politicamente na globalização.
A contextualização
globalizada da questão social, induz o indivíduo a não perceber as dimensões
globais de sua existência, as potencialidades de sua condição de cidadão.
"Juntamente com o que é local, nacional e regional, revela-se o que é
mundial. Os indivíduos, grupos, classes, movimentos sociais, partidos políticos
e correntes de opinião pública são desafiados a descobrir as dimensões globais
dos seus modos de ser, agir, pensar, sentir e imaginar."
No entanto, os
indivíduos enfrentam enormes dificuldades para ter domínio do que sugerem os
neoliberais. Isto porque, como destaca DREIFUSS (1996, p.153), os indivíduos
vivem uma globalização que se organiza e se faz a partir de megaespaços
urbanos, diferenciados por sua localização física e sua história.
Buscar essas
diferenças no âmbito da geo-política que os cerca, é um caminho que pode
conduzir os indivíduos à participação política. Para tanto, é necessário
aprender a desterritorializar decisões, definir acções políticas que alterem
estilos de comportamento, hábitos, padrões e especialmente mentalidade em
relação a doutrina neoliberal. "Hoje precisamos de uma nova concepção
acerca da transformação social e da prática política. Necessitamos de práticas
diferenciadas, flexíveis, movimentistas, simultaneamente local e globais."
A questão maior não é
o extermínio da política neoliberal e sim como enfrentar politicamente os
efeitos nocivos da globalização, dos desníveis económicos e da exclusão social.
A globalização não
tem preocupação com a preservação do mundo cultural do indivíduo. O
neoliberalismo, por sua vez, exige diversidade mercadológica, quer um indivíduo
desenraizado culturalmente, aposta na possibilidade de aliená-lo politicamente.
Surge deste contexto as dificuldades que tem o indivíduo de associar as funções
de cidadão e as de manipulado pelas referências e etiquetas neoliberais.
A proposta da busca
da solidariedade humana, justifica-se à medida que é impossível imaginar, por
mais convincentes que possam ser os ditames neoliberais, a globalização apenas
no aspecto económico. Não há
DESAFIOS À PARTICIPAÇÃO POLÍTICA NA
GLOBALIZAÇÃO
Os indivíduos vivem
um mundo de problemas e desafios na globalização. Nunca se falou tanto em
dificuldades como nos tempos actuais.
A velocidade que traz a mudança afasta a solução. Os problemas oscilam nos
extremos da inquietude ou nos deslimites da angústia. Os desafios não têm
limites de exigências, renovam-se a todo instante e tornam-se mais complexos, à
medida que aumenta a globalização das relações sociais.
As diversidades
étnicas, culturais, económicas e políticas que compõem o mundo global, na
verdade não são diferenças entre espaços físicos da globalização e sim entre
indivíduos que têm línguas diferentes, costumes diferentes grau de
desenvolvimento social diferente e principalmente pensam diferentemente.
A heterogeneidade de
conceitos entre indivíduos na globalização cria grandes barreiras para o
enfrentamento de desafios como a humanização das decisões económicas, a
diversidade cultural, científica e tecnológica, ainda presas a uma sociedade
tradicional, que não consegue superar as diferenças étnicas e políticas, que
segregacionam os homens nos limites do desejo e do consumo provocados na
multiplicidade de interesses do mundo global.
A globalização
incorpora as particularidades – locais, regionais, nacionais, ética, religiosas,
de grupos sociais e culturais – subsumidas na dinâmica mundial do consumo de
uma heterogénea terra.
Questionado na
globalização de exigências que o cerca, o indivíduo não consegue ter respostas
aos desafios que lhe são impostos. São exigências que criam grandes obstáculos
à participação política, que intimidam posicionamentos e revelam deficiências
de formação global, de domínio de mundo.
Observa-se que as
dificuldades de participação política na sociedade global, decorrem de dois
aspectos que precisam ser considerados: os de ordem pessoal e aqueles que vêm
de uma conjuntura política que englobou ideias, mas não ensinou a pensar.
Confinados no limite
da visão dos seus mundos pessoais ou na imensidão de um, global, que os
manipula a todo instante, os indivíduos enfrentam provocações que os
desnorteiam na complexidade de exigências que lhes são feitas.
Em a "Era do
globalismo", Octávio Ianni (1999, p.11) assinala a emergência da sociedade
global, como uma totalidade abrangente, complexa e contraditória. Uma realidade
ainda pouco conhecida, desafiando práticas e ideais, situações consolidadas e
interpretações sedimentadas, formas de pensamento e voos da imaginação.
Criou-se assim em
torno dos indivíduos o mundo das ansiedades. No aspecto pessoal, por exemplo,
como superar a ânsia do consumismo, que lhes alfineta a realidade económica e
os conduz ao sonho do impossível ou à impossibilidade de satisfaze-lo
plenamente? No âmbito global, como podem os indivíduos enfrentar e sobreviver
aos princípios excludentes do neoliberalismo? Como podem abrir espaços de
participação política, encontrar formas alternativas para diminuir a distância
entre pobres e ricos e democratizar os acessos à ciência e a tecnologia?
Esses são desafios
permanentes, que se renovam a todo instante na sociedade globalizada. Os
indivíduos são cobrados a todo momento e suas deficiências se revelam pela
maior ou menor capacidade de desempenho das suas tarefas de rotina. A
globalização exige indivíduos melhores preparados, que saibam ouvir, mas que assumam
funções de tomada de decisão, que tenham iniciativa própria, mas sejam fiéis
aos princípios neoliberais de tratar globalmente as questões sociais e económicas.
No âmbito político, o
objectivo é desconsiderar toda a forma de organização que não considere a
realidade da desigualdade social, como resultado das diferenças históricas,
étnicas ou económicas, entre os povos. No aspecto cultural a miscigenação de
valores globais ainda não aconteceu. Não há claramente definida uma cultura
global, que possa dar ao indivíduo uma identidade de cidadão do mundo.
A participação
política na globalização passa pelo desafio do indivíduo compreender, como
destaca Octávio Ianni (1995, p. 186) que a mesma racionalização que articula
progressivamente as mais diversas esferas da vida social, acentua e generaliza
a alienação de uns e outros, também em âmbito universal. A marcha da
racionalização caminha de par-em-par com a alienação, uma e outra
determinando-se reciprocamente.
A globalização é um
constante questionamento do processo de autonomia dos indivíduos, das
influências que possam receber na definição de modelos políticos, que se
mostram ao mesmo tempo individual e social e os deixam desamparados frente as
instituições. Surgem daí o desafio da busca da tomada de posições de autonomia,
de domínio de conhecimento, das influências das instituições na definição das
bases de uma sociedade, que dita o comportamento social e a postura política
dos indivíduos na aldeia global.
Sendo assim, a
postura comportamental do indivíduo na globalização assume diferentes facetas,
em função da sua maior ou menor dificuldade no controle dos conhecimentos que
possa ter em relação às formas institucionais existentes e da definição
política que conceba da sociedade global.
Indivíduos que tem
dificuldades de conceber a sociedade globalizada na sua pluralidade de
interesses, que sejam despreparados intelectualmente, com certeza não encontram
parâmetros de compreensão entre as condições de alienação e as possibilidades
de autonomia política na globalização. A sociedade global modifica-lhes as
condições de vida e trabalho
e não lhes concede oportunidades de aprender a vê-la com espírito crítico. O
alienalismo cultural, ainda enraizado em uma identidade nacional, acompanha a
alheação política, conduz o indivíduo a eximir-se de responsabilidades e
torna-se um obstáculo à participação política.
Considerando-se a frequente
lentidão com que se modifica a identidade de inúmeras pessoas e o desejo
intenso que muitas delas sentem de re (afirmar) seu controle sobre as forças
que moldam sua vida, é provável, admitem os globalistas, que as complexidades
da política da identidade nacional persistam. Porém, somente uma visão de
política global pode vir a se adaptar aos desafios políticos de uma era mais
globalizada, marcada por comunidades de destinos que se superpõem e por uma
política multiestratificada (local, nacional, regional e global).
O desafio de ser
participativo, de encontrar o poder da tomada de decisões, não se esgota apenas
no domínio das potencialidades culturais dos indivíduos, que são importantes
mas não necessariamente determinantes, já que existem os alienados voluntários
da política. A estes, a maior dificuldade de participação política está em não
desejar definir posições políticas acerca da globalização.
São essas
diversidades de condutas, muitas enraizadas em valores tradicionais (ignorados
pela globalização), que deixam os homens globalizados reduzidos a meros
coadjuvantes no processo da mundialização de acções políticas, que criam
dificuldades de compreensão da heterotopia que mecaniza o mundo global.
CONCLUSÃO
Depois de uma breve
investigação sobre o Sistema Politico da Actualidade e sua Globalização
concluímos que;
A globalização da
mídia no sistema politico trouxe para o indivíduo, o desafio de conviver com
uma realidade planetária, com formas diferentes de vida, com estilos desiguais
de sociedades, que o cerca, o assedia nos mais íntimos valores culturais e lhe
exige acompanhamento permanente das mudanças que destradicionalizam regras
sociais e familiares.
Essa pluralidade de
novos conceitos, de múltiplos parâmetros de relacionar-se em sociedade, desafia
os indivíduos a todo instante, exige um reciclar constante de comportamento, a
busca de uma nova identidade pessoal no contexto de uma despersonalização
global.
A nova ordenação da
sociedade mundial cria cadeias decisórias, que alteram a natureza e a dinâmica
das relações entre os indivíduos da actual globalização. A necessidade de
participação política torna-se uma exigência nos riscos, incertezas
e conflitos que se revelam no entrelaçamento do indivíduo com o sistema global.
ÍNDICE
I.
Introdução
II.
Desenvolvimento
O
sistema politico da actualidade e sua globalização
II. 1 A participação política na sociedade
globalizada
II. 2 A ideologia neoliberal na globalização
II. 3
Desafios à participação política na globalização
III.
Conclusão
Bibliografia
BIBLIOGRAFIA
Este trabalho foi extraído da Internet Pagina web
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Elaborado por: The
Question
Studio: M.M –
Realizações
E – mail: thequestion@live.com.pt
Luanda, Angola
2010
INTEGRANTES DO GRUPO
Nº 18 Delfina Napitango Francisco
Nº 19 Delfina Zangui Campos
Nº 20 Djamila Solange Tores Pires
Nº 95 Susana Miguel da Silva
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